sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Didática para o Ensino da Matemática (2)

MATEMÁTICA - Jogos, brincadeiras e desafios

A – SITUAÇÕES DIÁRIAS

Crianças mais independentes têm maior possibilidade de tomar decisões, enquanto crianças dependentes apenas executam as ordens.

É necessário que o professor incentive e investigue o aluno a descobrir, a pensar e a tomar decisões próprias. É urgente a formação do aluno, enquanto ser pensante.

Um dos conceitos fundamentais de toda Matemática e da própria formação do pensamento lógico-matemático é a relação” (Ângela Cristina Rangel). E essa é construída individualmente, a partir da experiência na vida real do indivíduo. Ela não vem de livros e muito menos de fórmulas ensinadas pelo professor.

As situações diárias vêm favorecer a construção dos conceitos matemáticos, partindo dos instrumentos do aluno para a compreensão lógica da realidade. Os elementos do cotidiano de cada indivíduo e as situações que lhe são apresentadas devem ser explorados e utilizados como instrumento para a construção dos conceitos matemáticos.

É necessário estabelecer uma forte ligação entre o cotidiano do aluno e a Matemática. Aprende-se melhor, resolvendo problemas, ou seja, quando o aluno se envolve com fazer e o pensar matemático, quando põe em ação o seu saber, investiga, cria, formula hipóteses, discute no grupo, experimenta soluções e produz um movimento em direção ao novo.

As situações diárias contribuem também para o desenvolvimento da autonomia. Proporcionam aos alunos a oportunidade de pensar, de relacionar fatos, trocar idéias, comunicar suas descobertas, defender pontos de vistas e decidir o que e como fazer.

O trabalho com situações diárias exige preparação e análise por parte do professor. É indispensável a organização prévia das atividades, onde estejam presentes os conceitos matemáticos que se quer desenvolver, e a habilidade do professor de provocar situações significativas e desafiadoras aos alunos.

B – JOGOS BRINCADEIRAS E DESAFIOS

Jogos, brincadeiras e desafios são atividades naturalmente prazerosas. São recursos que possuem ação integradora do conhecimento e atividades próprias para criança.

Na escola, também é possível associas prazer com aprendizagem. Os desafios extrapolam os objetivos matemáticos, favorecem o desenvolvimento moral, social e emocional. Apresentam situações-problemas, onde as crianças são desafiadas a utilizar seus esquemas mentais na construção da resolução. São atividades que instrumentizam a criança para desenvolver sua habilidade de pensar. Propiciam a construção de regras, a utilização de combinações matemáticas, a cooperação entre espaço e o grupo e a tomada de decisões.

Os jogos em pares favorecem a integração entre os jogos. Resolver um desafio em grupo, por exemplo, tendo uma diversidade de pontos de vistas, pode ser mais prazeroso que trabalhar sozinho. “De acordo com Piaget, a confrontação de pontos de vistas leva a criança a descentrar e freqüentemente resulta num nível maior de coordenação (concentração) (Kamii). Com isto, a autonomia desenvolve-se através das regras construídas e interiorizadas.

No decorrer da atividade, percebe-se diferentes processos para resolução de um problema, a criatividade e espontaneidade para defender suas hipóteses, a participação e concentração efetiva para a solução dos desafios, a organização das idéias e o prazer de desenvolver uma atividade apaixonante.

Através dos jogos e desafios, podem ajudar a formar um ser consciente, capaz de criar e construir esquemas, para resolver a diversidade de problemas do seu viver diário.

A prática dessas atividades, no dia-a-dia do fazer pedagógico, é desafiadora e, muitas vezes, extrapola todas as nossas expectativas. O professor precisa estar consciente dos objetivos que deseja alcançar, do porquê e do como, além do crescimento intelectual.

C- ATIVIDADES CASUAIS

O professor deve desenvolver seu espírito de pesquisador e sua habilidade de observador, para aproveitar as situações matemáticas casuais ocorridas no dia-a-dia da sala de aula, problematizando-as, para torná-la significativas no ensino da Matemática. Assim, será possível compreender que a Matemática é utilizada por todas as pessoas e, quase sempre, sem o auxílio de lápis e papel. Na vida, estamos sempre fazendo escolhas matemáticas.


SUGESTÕES DE ATIVIDADES

A – SITUAÇÕES DIÁRIAS

  1. ROTINAS DA SALA DE AULA
Chamada diária dos alunos, identificando quantos vieram. Quantos faltam.

Registro da distribuição dos alunos na classe, nos jogos, na sala de Educação Física.

Voltando:
- elegendo líderes;
- decidindo sobre as regras;
- limitando e/ou escolhendo as atividades do dia;
- definindo número de componentes do grupo;
- escolhendo nomes para times, cantinhos e salas.

Distribuição de grupos na sala:
- quantos grupos formar?
- quantos elementos em cada grupo?
- quantos no total?

Formar grupos a partir de determinadas classificações.
- crianças que:
- usam óculos;
- estão de tênis;
- são loiras
- o nome inicia com a letra M.

Distribuição ou recolhimento de materiais:
- folhas e cadernos de exercícios;
- cartas de baralho;
- bilhetes e comunicado;
- livros, jornais e folhetos;

Exploração das regras estabelecidas na escola:
- horário de entrada;
- horário de merenda;
- horário da saída;
- número de aulas de Matemática, Ciências, História, etc.

Discussão sobre a rotina planejada para o dia:
- horário de ir ao banheiro;
- tempo gasto para execução de atividades.

Comparações:
- peso dos materiais escolares trazidos por cada aluno;
- valor dos objetos;
- tamanho dos objetos e das pessoas;
- tempo gasto por cada criança, para ir da sala ao pátio;
- tempo gasto, por cada aluno, da casa até a escola;
- distância percorrida: do portão da escola ao pátio, da sala de aula ao portão, etc.

Noções e conceitos envolvidos:
- o desenvolvimento da criatividade;
- a socialização dos alunos;
- a construção do conceito de número e quantificação numérica;
- a articulação das relações lógicas;
- desenvolvimento das noções de classificação e seriação;
- a construção da idéia de medida de comprimento, tempo e peso;
- estabelecimento de comparações;
- construção da idéia de proporcionalidade;
- o desenvolvimento do pensamento lógico;
- formulação de hipótese.

ATIVIDADES PROGRAMADAS

Visitando feiras e supermercados
- visita a feiras e supermercados, observando os produtos que são vendidos, preços, entrevistando feirantes e vendedores, obtendo informações sobre as formas de comércio, etc.
- classificação de produtos;
- atributo;
- comparações entre diferentes produtos e preços;
- identificação do uso e da necessidade social da utilização da unidade padrão de medida;
- conhecimento de variadas formas de comercializar o produto;
- desenvolvimento da linguagem oral;
- preparação de receitas culinárias;
Ex: salada de frutas, bolos, pipocas, suco, etc.

Noções e conceitos envolvidos:
- ordenação dos produtos, utilizando critérios definidos por elas;
- classificação e comparação dos ingredientes de acordo com diferentes formas de agrupamentos;
- quantificação dos números e variedades dos produtos;
- definição de um instrumento (copo, colher, etc) para ser utilizado como medida-padrão, para servir igualmente o produto.

Trabalhando com a loja
- solicitar aos alunos que tragam caixas e embalagens variadas;
- Montar a loja:
- classificar os materiais trazidos;
- dividir a sala em grupos, encarregando-os da organização das sessões;
- escolher o vendedor e o caixa de cada sessão;
- confecção da tabela de preços (a coleta dos preços deve ser feita anteriormente, através de visitas aos supermercados, coleta de dados nos folhetos, entrevistas, etc);
- distribuir aos alunos as fichas: amarelas, vermelhas, azuis e verdes (Veja sugestões de jogos – Dinheiro Chinês).
- colocar a tabela com a correspondência de cores e valores;
- utilizar notas fiscais;
- realizar atividades de compra e venda;
- fazer o balanço do Caixa.

Noções e conceitos envolvidos:
- classificação dos sólidos geométricos;
- ordenação dos objetos para a organização das sessões;
- discussão da coleta de preços como uma maneira de fazer economia;
- conceito de unidade, dezena e centena;
- idéia de valor, despesas, troco, orçamento, compra, venda e balanço;
- preenchimento de notas fiscais;
- exercitar as operações;
- escrita e leitura de números e etiquetas;
- leitura dos rótulos e a compreensão da função das embalagens dos produtos;
- desenvolvimento da linguagem oral.

Trabalho de barbante
- solicitar aos alunos que façam um círculo.
- quem receber o barbante terá que segurar na ponta e jogar rolo de barbante para quem quiser.
- a criança que recebeu deverá segurar em um ponto do barbante e passá-lo adia

Noções e conceitos envolvidos:
- orientação espacial;
- posicionamento e comparações: à esquerda, à direita, dentro/fora, antes de/depois de, ao lado de/ entre, etc.
- curvas, abertas/fechadas;
- identificação de figuras geométricas;
- sentidos: para baixo/para cima, para dentro/para fora, por detrás/pela frente, etc.
- desenvolvimento da criatividade.


B – JOGOS E DESAFIOS

* TANGRAM
Material: quebra-cabeça

Tangram


Quebra-cabeça chinês formado de sete peças. O Tangram pode ser feito de qualquer tamanho, respeitando-se as proporções das figuras geométricas. Regra: todas as sete peças devem ser usadas e as figuras devem ser sempre planas.

Encaminhamentos
- classificar as figuras geométricas originais do jogo e as que podem ser compostas com as peças;
- montar um quadrado;
- criar figuras livremente;
- produzir textos orais e escritos, utilizando as figuras/personagens criados;
- trabalhar com equivalência de área.

Noções e conceitos envolvidos:
- organização do pensamento lógico;
- desenvolvimento da criatividade;
- identificação das figuras geométricas;
- desenvolvimento da linguagem oral e escrita;
- formulação de hipóteses.






* BOLINHA DE GUDE

Material: 30 bolinhas de gude, mais ou menos.

Encaminhamentos:
- organizar a turma em pequenos grupos;
- no pátio, determinar o campo de cada grupo e fazer o “papão”.
- cada jogador recebe 6 bolinhas e tenta acertar o papão;
- ganha o jogo quem acertar, primeiro, as seis bolinhas no papão.

Noções e conceitos envolvidos
- a construções de noções de sentido e direção;
- compreensão do princípio aditivo e subtrativo;
- manipulação de esferas.



*QUAL É O NÚMERO?

Material: papel e lápis.

Encaminhamentos:
- uma criança pensa e escreve um número, tendo um limite estabelecido;
- as outras crianças tentam descobrir qual é o número;
- a criança que pensou o número dá pistas aos que tentam descobrir:
- é mais;
- é menos;
- é número par;
- é múltiplo de ...
- é primo;
- é ímpar;
- é par;
- é antecessor...
- é sucessor... etc.
- ganha aquele que acertar o número que foi pensado.

A criança que acertar, na próxima rodada, pensará número.

Noções e conceitos envolvidos:
- o desenvolvimento do raciocínio lógico;
- a articulação das relações lógicas;
- o desenvolvimento de conceitos relacionado ao número: antecessor, sucessor, menor que, maior que, pares e ímpares, etc.


REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA
CARVALHO, Dione Lucchesi de. Metodologia do Ensino da Matemática. 2.ed. São Paulo: Cortez, 1994.

PARA SABER MAIS: Assista ao video "O brincar e a Matemática"












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