sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O homem e o tempo




O homem e o tempo



A rigor, não há um só momento em que o homem esteja livre das preocupações ou das limitações que o tempo lhe impõe. Isso, não só quando dá corda no relógio ou quando olha uma folhinha sobre a mesa.

O passar do tempo está em toda parte, mostrando-se, fazendo-se sentir no amadurecimento dos frutos, na ida e vinda do calor e do frio, da chuva e da seca, no subir e descer das marés, na infância que se torna juventude e na memória que vacila, nos retratos amarelecidos, nos sonhos esquecidos, no vinho que amadurece e na canção que se perde à distância!

O homem passou toda sua história criando sistemas, construindo aparelhos, conferindo dados, apelando para os astros no esforço de conhecer, controlar e se possível... prender este que é, ao mesmo tempo, seu aliado e inimigo, auxiliar e carrasco – o tempo!
Enquanto houver homem e houver tempo, haverá luta entre eles.


(Donato, Hernâni – História do calendário, Vol. 27, da Série Prisma, Edições Melhoramentos/Ed. Universidade de São Paulo, 1978, SP).

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