domingo, 1 de dezembro de 2013

Oficinas de Literatura Infantil - Curso de Formação de Professores

Sempre fui apaixonada pelos livros de histórias infantis! Não existe idade para gostar desse tipo de leitura. Na profissão, tive o privilégio de trabalhar na formação de professores, contribuindo para a aprendizagem do trabalho com a literatura infantil.

Eis um Portfólio de trabalho com algumas fotos de apresentações de Literatura Infantil no Curso de Formação de Professores.  Mais de 20 turmas participaram deste trabalho (2009 a 2012).



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No Brasil, a Literatura Infantil e a escola sempre estiveram mutuamente atreladas. Os livros infantis encontram na escola, o espaço ideal para garantir atenção de seus leitores, mesmo que estes sejam utilizados como leitura obrigatória e usados como pretextos utilitários, informativos e pedagógicos. 
Lajolo, (2008) garante que se ler é essencial, a leitura literária também é fundamental. É à literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os 
diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias. Por isso a 
literatura é importante no currículo escolar: o cidadão, para exercer, plenamente sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, 
alfabetizar-se nela, tornar-se seu usuário competente, mesmo que nunca vá escrever um livro: mas porque precisa ler muitos. (LAJOLO, 2008, p.106)




































Emprega-se a expressão Literatura Infantil ao conjunto de publicações que em seu 
conteúdo tenham formas recreativas ou didáticas, ou ambas, e que sejam destinados ao 
público infantil. No entanto, especialistas que debruçam nesta área consideram esta 
conceituação um tanto restrita, haja vista que muito antes da existência de livros e revistas infantis, a Literatura Infantil atuava na tradição oral, transmitindo a expressão da cultura de um povo de geração em geração. Arroyo (1990) 


























A literatura infantil é arte. E como arte deve ser apreciada e corresponder plenamente à intimidade da criança. A criança tem um apetite voraz pelo belo e encontra 
na literatura infantil o alimento adequado para os anseios da psique infantil. Alimento, esse, que traduz os movimentos interiores e sacia os próprios interesses da criança. “A literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição.” (Meireles, 1984, p. 32) 

















 Para Frantz, “a literatura infantil é também ludismo, é fantasia, é questionamento, e dessa forma consegue ajudar a encontrar respostas para as inúmeras indagações do mundo infantil, enriquecendo no leitor a capacidade de percepção das coisas.” (Frantz, 2001, p.16). No entanto, não podemos esquecer que os livros dirigidos as crianças são escritos por adulto. Adulto esse, que possui a intenção de transmitir através de seus textos, ensinamentos que julga, conforme sua visão adulta, interessante para criança. De modo que, em suma o “o livro infantil”, se bem que dirigido à criança, é de invenção e intenção do adulto. Transmite os pontos de vista que este considera mais úteis à formação de seus leitores. E transmite-os na linguagem e no estilo que adulto igualmente crê adequados à compreensão e ao gosto do seu público. (MEIRELES, 1984 p. 29)














 “Ler implica troca de sentidos não só entre o escritor e leitor, mas também com a sociedade onde ambos estão localizados, pois os sentidos são resultado de 

compartilhamentos de visões do mundo entre os homens no tempo e no espaço.” (Cosson, 2007, p. 27). 





A criança é criativa e precisa de matéria-prima sadia, e com beleza, para organizar seu “mundo mágico”, seu universo possível, onde ela é dona absoluta: constrói e destrói. Constrói e cria, realizando tudo o que ela 
deseja. A imaginação bem motivada é uma fonte de libertação, com riqueza. É uma forma de conquista de liberdade, que produzirá bons frutos, como a terra agreste,que se aduba e enriquece, produz frutos 
sazonados. (CARVALHO, 1989, p.21) 












Os contos infantis possibilitam o despertar de diferentes emoções e a ampliação de visões de mundo do leitor infantil. E nesse encontro com a fantasia, a criança entra em contato com seu mundo interior, dialoga com seus sentimentos mais secretos, confronta seus medos e desejos escondidos, supera seus conflitos e alcança o equilíbrio necessário para seu crescimento. “O espírito da criança precisa do drama, da movimentação das personagens, da soma das experiências populares e tudo isso dito por meio das mais elevadas formas de expressão e com inegável elevação de pensamento”. (Sosa, 1978, p.19) 














 Por meio da projeção da criança nos contos infantis, ela vive intensamente seus conflitos, medos e dúvidas. Referimos à projeção da criança nos contos infantis e 
ilustrações, considerando o pensamento de Benjamin, quando nos diz que “não são as coisas que saltam das páginas em direção à criança que as vai imaginando - a própria criança penetra nas coisas durante o contemplar, como nuvem que se impregna do esplendor colorido desse mundo pictórico”. (Benjamin, 2002, p.69). É por meio do 
imaginário que a criança reconhece suas próprias dificuldades e aprende a lidar com elas, podendo assim, se reconhecer melhor e se conhecer como parte integrante do mundo que a cerca. 








 A natureza e intensidade dessas emoções podem repercutir na vida do pequeno leitor de maneira definitiva. Não apenas ele se lembrará, até a morte, desse primeiro encantamento, [...]; muitas vezes, a repercussão 
tem resultados práticos: vocações que surgem, rumos de vida, determinações futuras. (MEIRELES, 1984, p.128)









Sosa (1978) explica que não é a moral da história que fica registrada como experiências de conhecimento, mas o que fica registrada na alma da criança é o acontecimento dramático da fábula, as espertezas e astucia embutidas nas ações das personagens. É o drama apresentado na fábula que dialogará com seu mundo íntimo e colaborará no conhecimento que necessitará para seu desenvolvimento. Portanto, a educação moral não é aplicada na vida da criança por meio de suas leituras, mas sim, por 
meio de suas próprias experiências com a vida e ações.
Para Arroyo “a natureza da literatura infantil, o seu peso específico, é sempre o mesmo e invariável. Mudam as formas, o revestimento, o veículo de comunicação que é a 

linguagem.”(Arroyo, 1990, p. 25) O encantamento que a literatura infantil proporciona ao leitor permanecera sempre e em todos os lugares. No entanto, os problemas ainda não superados pela Literatura Infantil encontram-se nas práticas pedagógicas que ainda insistem apresentar a Literatura Infantil com exercícios intelectuais ou pedagógicos, ensino da moral e bons costumes. Desviando, assim o poder da imaginação que a Literatura Infantil 

proporciona e que seria o ideal na formação do leitor. 

O livro infantil só será considerado literatura infantil legítima mediante a aprovação natural da criança. Para isso o livro precisa atender as necessidades da criança, que seriam: povoar a imaginação, estimular a curiosidade, divertir e por último, sem imposições, educar e instruir. Como afirma Oliveira: Os livros infantis, além de proporcionarem prazer, contribuem para o enriquecimento intelectual das crianças. Sendo esse gênero objeto da cultura, a criança tem um encontro significativo de suas histórias com o mundo imaginativo dela própria. A criança tem a capacidade de colocar seus próprios significados nos 
textos que lê, isso quando o adulto permite e não impõe os seus próprios significados, visto estar em constante busca de uma utilidade que o cerca. (OLIVEIRA, 2005, p. 125) 

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