sexta-feira, 3 de março de 2017

Lições importantes sobre liderança

O líder como educador

As organizações vivem a era da gestão do capital intelectual, buscando incessante atrair e preserva o conhecimento existente e gerar inovações por meio da criatividade. Assim, o processo de ensino e aprendizagem torna-se estratégico na dinâmica das organizações, cabendo ao líder o papel de facilitador da aprendizagem de indivíduos e equipes.
Segundo Paulo Freire (1997), ensinar é promover a construção do conhecimento, ensinar é pensar certo, ensinar é escutar. Vejamos como essas idéias se aplicam ao mundo das organizações.


Ensinar é promover a construção do conhecimento

Ensinar não significa transferir conhecimentos. Na verdade, ensinar é promover as condições para que esses conhecimentos sejam construídos pelo aprendiz. O liderado não aprende quando o líder lhe explica verbalmente como executar uma tarefa; o aprendizado ocorre quando ele realiza o trabalho e ambos – líder e liderado – refletem criticamente sobre essa experiência, momento em que o líder também aprende. Assim, a aprendizagem se constata quando o liderado consegue reproduzir ou recriar o conteúdo ensinado e também quando consegue atingir ou ultrapassar resultados previstos.
Por exemplo, explicar verbalmente as etapas da montagem de um computador a alguém que nunca realizou tal operação e depois pedir-lhe que repita tudo oralmente não garante que a montagem será realizada corretamente ou que o computador irá funcionar. Para tanto é imprescindível que a montagem seja realizada sob supervisão e que ao final seja feita uma avaliação crítica da cada etapa do trabalho e das dificuldades aí encontradas. Assim garante-se que certos pontos sejam esclarecidos e que as etapas se tornem significativas para quem está realizando a tarefa. Depois disso o aprendiz deve fazer o trabalho sozinho, para ganhar confiança e destreza na sua execução.
Portanto, promover a construção do conhecimento inclui propor desafios, acompanhar a realização da tarefa, avaliar criticamente o desempenho e exercitar-se para adquirir perícia.


Ensinar é pensar certo

Pra ensinar, o líder deve pensar certo. Segundo Paulo Freire, pensar certo significa submeter nossas verdades a uma avaliação crítica para torná-las passíveis de modificação. Isso permite perceber que a competência de hoje será ultrapassada pelo conhecimento a ser adquirido amanhã e conduz à busca permanente da superação do atual nível de saber.
Pensar certo é estar em permanente mudança, é conviver com os riscos e os desafios do futuro. Não é adotar o novo somente pelo fato de ser novo, nem rejeitar o velho apenas por ser velho. Trata-se de escolher as mudanças e de assumir o controle da vida. Pensar certo é ter humildade para reconhecer os erros e com eles aprender a trilhar novos caminhos.
Pensar certo é respeitar os saberes do liderado e sua consciência crítica. Portanto, ao ensinar, o líder deve partir do nível de conhecimento em que se encontra o liderado, sabendo que este tem capacidade pra criticar o conteúdo ensinado e chegar a conclusões por si mesmo. Logo, pensar certo envolve a reflexão sobre nossas práticas.
Pensar certo é respeitar a ética. Não há como desvincular o aprendizado de uma técnica das conseqüências éticas de sua prática. Por exemplo, é de se esperar que o chaveiro não utilize sua técnica de abrir cadeados para assaltar residências na calada da noite.
Pensar certo é corporificar o discurso pelo exemplo. Não tem cabimento pregar justiça quando o critério de promoção de liderados passa unicamente pela amizade e obediência cega ao líder. É sabido que o exemplo do líder é a maneira mais barata e eficaz de ensinar comportamentos.
Pensar certo é amar as diferenças. Não se aprende com quem possui os mesmos saberes, com os iguais. A possibilidade de aprendizado está nas diferenças conceituais, metodológicas, instrumentais e práticas. Portanto, deve-se reconhecer o valor das diferenças individuais existentes numa equipe. Mais que isso, deve-se incentivar a diversidade pra aumentar o potencial de aprendizado e fortalecer o processo de construção do conhecimento. Até porque ninguém aprende sozinho; aprende-se na relação com os outros.
Pensar certo é agir pra transformar o mundo e deixar-se mudar pelo mundo que se ajudou a transformar. Quando se exige novos comportamentos da equipe, é preciso ter em mente que também ela vai modificar a maneira de agir do gestor. Muitos conflitos têm como principal causa a rigidez comportamental do gestor.
É o caso, por exemplo, do gestor autoritário que censura seus subordinados pelo fato de começarem a fazer trabalhos sem sua autorização expressa, esquecendo-se de que ele próprio passou a estimular tal iniciativa após ter lido um artigo sobre equipes de alto desempenho. Além de frustrar a todos, tal atitude é contraproducente. Por isso o líder deve preparar-se pra mudar, antes de agir para mudar sua equipe.


Ensinar é escutar

Não é falando pra os outros que se aprende a escutar. Pra melhor comunicar-se, o líder deve escutar atentamente o liderado e procurar compreender o que diz. Numa cultura autoritária, escuta-se atentamente quem tem poder, mas em geral tem-se muita dificuldade pra escutar os liderados. A escuta é hierarquizada. Mas esse é um problema que tem solução: como todos escutam a voz da autoridade, resta escutar também os subordinados, bastando para tanto saber respeitá-los.
Em suma, quem tem algo a dizer deve incentivar quem escuta a participar do processo de aprendizado com seu saber único e indispensável à construção do saber coletivo, tornando-se também agente desse saber.

Livro: Aspectos Comportamentais da gestão de pessoas/Págs 50, 51, 52,53

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